segunda-feira, 29 de março de 2010

Sangue, suor e paixão

O dia que sempre pensei que um dia chegaria, finalmente chegou. A hora de dizer obridago e estender a mão para cumprimentar aqueles que foram importantes ao longo desses 15 anos, chegou. O instante de lembrar tudo num piscar de olhos e sentir as lágrimas escorrerem, chegou.
Foi hoje o dia que reservei para dizer adeus aquilo a que mais me dediquei em toda minha vida. Tinha que ser hoje, o mais rápido possível para desembaraçar e descomplicar a vida daqueles que puseram fé em mim por todos esses anos.
O resto do dia não importa. Importante foi o momento de sair do carro, no estacionamento do Flamengo e caminhar até a piscina, uma última vez, como para treinar e me obrigar a dizer tchau. Ter que explicar de alguma forma, o porque da minha decisão e, acima de tudo, convencer a mim mesmo, novamente, que essa rotina já não pode mais fazer parte da minha vida.

Sem mochila, material e nem sequer o rotineiro sorriso, cheguei à borda da piscina e confesso que foi mais fácil dizer ao Marco o que eu ia fazer justamente porque ele já anteviu o que eu ia dizer. Poupei então minhas palavras, que mal saíram e me dirigi ao Nandão, que por tantos anos acompanhou a pouco distância minha trajetória para ouvir dele palavras reconfortantes para um segundo:

- Você teve uma atitude muito bonita. Não foi covarde e veio até nós para dizer isso. Isso é coragem. Quem não tem cu largo, não faz contrato com pica larga. E você não tem cu largo, filho! Boa Sorte!

Foi o tempo de dá-lo um abraço, agradecer e andar até meu amigo Jorge Lourenço para simlesmente dizer-lhe o porque e agradecer por tudo que ele havia feito por mim, desde as épocas de Iate, na Ilha. Não consegui. Fiquei parado por um tempo ouvindo suas palavras que para mim já não mais significavam nada, e esperei mais um pouco segurando o choro, para poder dizer um obrigado muito sincero, abaixar a cabeça e partir.

Não falei com mais ninguém lá hoje. Cumpri minha missão.

Me sinto um fraco e um covarde. Mas não poderia ser diferente. Não agora. Posso, através desse texto, dizer enfim porque abri mão desse potencial, tão falado por aqueles que me queriam nas piscinas.

Hoje curso Engenharia Naval. Passei 4 anos na universidade para concluir que quase não progredi. Passava mais temo na água que na terra e minhas prioridades começavam a se misturar. Quando bem mais novo, jurei pra mim mesmo que conseguiria ter sucesso na natação juntamente com meus estudos. Tive sim, sucesso nesse ponto, quando entrei para a universidade federal do Rio de Janeiro enquanto treinava forte e sozinho, numa piscina na Ilha do Governador. Não deixo de agradecer por essa conquista até hoje, ao meu amigo e ex técnico, Thiago, que me apoiou e certamente cresceu com essa experiência também.
Infelizmente, a universidade provou-se ser uma barreira ainda maior para o sucesso dos meus planos e, ao mesmo tempo, uma alternativa. O que faço hoje é exatamente tudo o que quero fazer no resto da minha vida, mas isso depende muito de como vou me desempenhar dentro da faculdade.

Não é pelos meus pais, não é por ninguém. Tenho uma família que -grças a Deus - é unida, amada e que sempre me apoiou e teve condições de me apoiar todos esses anos e por tantos anos mais que eu quisesse me dedicar à natação. Fui sempre muito feliz em chegar em casa todos os dias, depois de treinos longos e desgastantes e ver meus pais à mesa me aguardando para o jantar, quase 10 horas da noite, somente para perguntar como havia sido meu dia e meu treino. Pais e familiares que nunca deixaram de se empolgar - ou mostrar-se empolgados - com meus resultados, expressivos ou não ao longo dessa carreira cheia de altos e baixos.

Quis estar entre os melhores sim e nunca desisti, nem por um segundo sequer, desse objetivo. Ao subir num bloco, o que eu queria era gahar. Quando estava por terminar a prova, queria somente terminar. Mas eu gostava de dar sangue. Gostava de me superar. Gostava de mosntrar que queria me superar.
Fui chamado de Homem de Ferro por coleguinhas de treino quando novo, por sempre querer estar na frente e por ser raçudo por natureza. Não tenho falsa modéstia e reconheço que determinação é a palaavra que marcou toda essa trajetória.
Não desisti de um objetivo sequer. Não subestimei meus adversários, não caí uma só vez na água para soltar uma prova, mesmo que fosse nadar mais 3 em seguida. Nos treinos, minha mãe recebia nomes pavorosos quando eu bufava na cara de meus colegas, não por desrespeito, mas por gana de fazer bem uma série, antes de sair para o tiro fundamental do treino.
Já pensei que não fosse conseguir terminar uma série cabulosa, mas terminava todas, e da melhor forma possível, só porque depois eu ia sair da água e ganhar parabéns do meu técnico.

Hoje, pedi para sair porque não me sinto com a gana de fazer as séries que gostava de fazer no passado. Não quero aborrecer àqueles que dependem dos meus resultados. Não quero aborrecer meus colegas de treino por reclamar de alguma coisa dentro da piscina. Nunca foi do meu feitio reclamar. Se há de ser feito, será - ou como dizerm em um bom filme, missão dada é missão cumprida.

Se paro para estudar agora, olho para trás e vejo 15 anos de muito orgulho do que se passou. Orgulho de poder ter dito que era nadador. Orgulho de poder ter nadado com as pessoas com quenm nadei. Orgulho de poder ter dado um exemplo a muitas pessoas com quem dividi uma raia ontem e hoje. Me sinto agora como um tio. Mas feliz por ter visto muitos rostos felizes à minha volta. Feliz por ter visto, até a semana passada, petizes olhando para mim como alguém que eles querem vir a ser daqui a 5 ou 6 anos. Isso pra mim é fundamental.

Se escrevo tudo isso agora aqui, é principalmente, como disse, para agradecer àqueles que não tive oportunidade de agradecer, de forma tão imensa que me é impossível descrever, por todo o apoio que me deram de 1995 até hoje.
Que Deus abençoe todos vocês e que seja dada em retribuição, todo o carinho em dobro que recebi de vocês.

Ao Nésio, meu primeiro professor de natação;
À Jaqueline, da boinha às primeiras braçadas;
À Eliane, tanto tentou que conseguiu me colocar na equipe;
Aos Eduardos; técnicos, amigos, substitutos...;
À Lica, minha querida técnica de Mirim, tutora na arte do fundo e da natação;
Ao Marcelo, que Deus o tenha, amigo e mestre do princípio;
Ao Ulisses, meu chapa, um grande abraço por toda garra de ter me ajudado, técnico de Petiz;
À Érica, mãezona, que me acompanhou por longos 4 anos na jornada de Infantil a Juvenil;
Ao mestre Sylmar e seus provérbios para a vida toda;
Ao Professor Ricardo de Moura, pela Oportunidade de ir a um clube grande;
Ao amigo e amiga Armandinho e Izolda, por toda força;
Ao técnio Marcio, pela ajuda no retorno ao Vasco;
Ao amigo Junior, nunca fora meu técnico, mas sempre esteve me apoiando;
Ao Thiago, amigo e técnico, pelas experiências;
Ao Jorge, pela persistência e ajuda nesses últimos anos;
E aos que incentivaram, de perto e de longe e torceram por mim.


Passei anos tentando ser lembrado. Hoje, minhas lembranças desses anos me fazem mais feliz.

Talvez eu pudesse escrever um livro, mas me atenho a essas palavras.

Aos meua amigos de piscina, que mal posso listar, e mestres,

Amo vocês.

Luiz Felipe Carvalho – Nadador de 07/05/1995 à 29/03/2010


domingo, 28 de março de 2010

Nada como um 800 livre pra descarregar toda uma carreira. Não digo que esta foi a última vez que competi. Mas fui como se fosse a última. Subi no bloco como se fosse a última...e nadei como se fosse Mirim. O tempo pelo menos era compatível...afinal, um Senior, com 15 anos de carreira nas costas fazer 9'13'' chega a ser patético, mas fiquei feliz, como ontem. Não é saudosismo barato. É paixão mesmo. Gosto de nadar, fazer força, cansar, morrer, dar sangue na água clorada. E sempre vou gostar.

Dia de descanso merecido. Não estudei nada de novo. Me prometi acordar amanhã e fazer meu dever de casa. Me prometi dar uma explicação plausível para o Marco no treino da tarde. A hora da verdade se aproxima.

Mas hoje, relaxei. Passei o dia no msn, conversando, com o papo pro ar. Melhor que isso, só indo se empanturrar no Porcão. Oh, coisa boa! Dito e feito. Acho que meu dia foi mais parado também por conta disso, afinal aquele filé mignon com queijo é uma loucura. E a sesta de depois do almoço é sagrada rs

Me lembrei hoje dos dias de domingo passados em Davie. Lembrei das nossas amizades. Lembrei de todos - enquanto eu dormia, é claro.

Aí abaixo uma foto de uma de nossas novas amizades e nosso querido amigo, Giordano.

sábado, 27 de março de 2010

Olha, pra não dizer que foi uma merda, até gostei!
Tudo bem que nadei pra 17'46'' mas abaixo de 18 minutos minha semana ainda pode seguir normalmente. Treinei uma vez essa semana. Não nado essa prova a uns 2 anos. É perfeitamente plausível que o tempo seja uma bosta. Mas acima de tudo, gostei da minha postura antes da prova e da divisão que fiz dentro dela. Até pareço ainda com um fundista. Isso, de fato, é como andar de bicicleta, nunca se esquece!

Posso dizer que estou até feliz. Quem não está nem um pouco feliz é meu coach...ou melhor dizendo, nenhum deles. Apesar de ter sido muito bem tratado mesmo chegando uma hora atrasado na competição - ninguém merece ter que assistir 800L MIRIM II - fui encostado na parede quando recebi um ultimato do Marco, que dizia para botar um ponto final nessa novela e me decidir de um a vez o que fazer da minha vida. Bom, essa foi minha interpretação de um pedido de explicação sobre minha atual agenda de treinos e se ele vai ou não poder contar comigo nessa temporada... Eu diria que vai ser difícil, mas vou deixar a novela acabar, primeiro.

Amanhã 800 libre! Provinha curta perto da de hoje...vamo que vamo!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Reeeespeitável públicoooo! Amanhã, a partir das 15h no Olaria Atlético Clube, não percam nossa apresentação do incrível Homem Prego!!!!

Espero que não seja tão respeitável assim, mas em todo caso...melhor prevenir do que remediar! Hoje para compensar a falta do treino, causado, mais uma vez, por conta dos meus horários malucos e professores ainda mais, na faculdade, resolvi ir treinar na academir. Adivinhem...um dia antes de competir. Tudo bem que já faz tempo que não caio na água, admito, mas hoje, logo hoje, me bateu um peso na consciência que me fez perder toda a noção que eu costumava ter de treinamento, competição e tals, e sair treinando feito um desvairado...pra piorar, na academia de musculação.

Paciência, afinal, o que é mesmo um peido quando já se está todo cagado!?

Mil e quinhentos, a prova que vou nadar amanhã, já foi uma das minhas favoritas. Costumava nadar na curta pra 16 minutos e pouquinho. Para a prova de amanhã, apesar de já não cogitar um resultado muito expressivo, considero ao menos que será divertido. Acho, inclusive, que é essa falta de pressão que esteja me fazendo encarar um quilometro e meio com mais tranquilidade, e o que possivelmente vai me fazer nadar melhor, como sempre aconteceu.

Enfim...acho que não precisarei ir ao treino de amanhã de manhã...vai ser uma prática com AN e, como vou competir, acho melhor me poupar...dormindo rsrs´

Amanhã eu conto como foi!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Não é por nada não...mas acho que vou levar bronca do Jorge esse fds...
Isso que da querer estudar mais que treinar! Pelo menos a matéria de Resistência dos Materiais está adiantada hehehe

Ossos do Ofício!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Só sei que foi assim.
O dia passou e nem sequer senti. Logo de manhã, ao invés de ir treinar, tive que correr para a faculdade porque descobri ter uma aula logo pela manhã. Essa aula era seguida por outra que ia até a hora do almoço. E só. Voltei pra casa cheio de hidrodinâmica na cabeça, com os neurônios mio fundidos. Só hoje me cai a ficha que o bicho ta pegando. Já está mais que na hora de estudar se eu realmente quiser me formar.

Por outro lado, descobri ontem que esse fim de semana tem competição. Rodada extra de fundo no Olaria. Gosto da piscina de lá. É rápida e sempre dei bons tempos e ótimos resultados. Vou nadar os 1500 e os 800 e acho que até la da pra empurrar mais um pouco de água pra chegar na hora do vamos ver e não pagar tanto mico assim. O problema mesmo será o de enfrentar não sei quantas mil séries de 1500 de MIRIM II ATÉ SENIOR!!!!! Além, é claro da mesma coisa só que feminino...vai ser uma tarde longa pra recordar bem o que é ser nadador de fundo...

terça-feira, 23 de março de 2010

Deixando um pouco as discussões de lado, hoje resolvi encarar o treino mais duro da semana. Sim, isso porque meu ímpeto de superação fala sempre mais alto por algum motivo que nunca descobrirei qual é. Fui dormir ontem querendo nadar depois que vi na internet que o treino seria de A3 com Anaeróbio longo, de 400. Queria cair na água e ver no que ia dar. O dia inteiro porém foi uma luta constante para me levar até o flamengo para fazer a tal série. Sabia que ia doer. Sabia que ia ser difícil. Mas era exatamente por isso que eu queria estar lá. Depois de um dia inteiro de aulas de estrutura, arquitetura naval e almoço nos trailers maravilhosos, ainda me restava a vontade de ir fazer força dentro d'água.
Cheguei à Lagoa, puxei aquele ronquinho de meia hora e peguei a bike para ir até o clube e encarar a dura realidade de explicar o porque do meu sumiço no início da semana. Acho que isso foi mais dificil do que de fato fazer a série. Bom que o Marco é um cara compreensivo...na medida do possível, é claro rs

Depois de algum papo de borda de piscina, aquecimento e tiros motivacionais - como o João gosta de chamar: tiros 'fode série' - me senti de novo em Davie sob os cuidados do Coach Omar e suas séries alucinantes sem intervalo.

8x50 A2, A3, AN / 4x100 A3, AN / 2x200 A3, A2 / 400 AN

Sem intervalos entre séries. Soquei a mamona. Era tudo que eu queria. Nadei na frente. Sobrei...até os 400. Acho que fazia tanto tempo que não travava tão bonito quanto eu não fazia força. Só posso dizer que mesmo com os miseráveis 5'01'' ainda achei a série boa.

É...ou meus parâmetros estão meio deturpados ou eu que me contento com pouco rs

Métodos Matemáticos amanhã pela manhã...